voltamos?
em algum momento sequer fomos?
26 de outubro de 2025
domingo, porto alegre
faz tempo que não me escrevo. os diários seguem cheios, apesar de eu não estar conseguindo ser tão assidua quanto eu gostaria. os sentimentos não são menores, nem menos complexos, mas estou aprendendo a resumir. ser sucinta é um exercício de paciência e criatividade pra mim que tenho penduricalhos e cacarecos até nos meus pensamentos.
faz tempo que não escrevo uma carta de amor, que coloco uma angústia e algumas flores em texto.
um ano e meio atrás eu decidi que teria franja e pago por esse pecado até hoje. algum dia, em algum momento, meu cabelo vai crescer. tudo por aqui é meio devagar mesmo, ainda que se torne um acúmulo de coisas a serem superadas. posso ter o processador de um laptop da xuxa, mas me empenho. um iphone de botão com bateria viciada. a pessoa que me fez dar inicio ao que escrevi nessas cartas hoje o som do nome sequer me é familiar. paro a respiração, olho para cima, é possível enxergar a barra de “processando” e então… ah sim! claro. está bem? nossa, eu não fazia ideia! que bom. bom pra ele.
alguns se tornam amigos, daqueles que até choram em ligação no telefone. outros são outros, sempre outros. aqui o coração só é estilhaçado pelo amor perdido de um amigo. tornou-se, agrego; desfez-se, despedaço.
é surpreendente se dar conta de que ninguém é obrigado a nada. e por mais que as falhas sejam gritantes, tenho buscado fazer do suspiro cansado um refúgio agradecido aos que fazem algo — afinal, não há obrigação.
escrevo agora para dizer que quero escrever. que volte a ser divertido, bobo, escape. que número e algoritmo não importe, apenas a ameaça iminente de expor um sentimento inconveniente, frágil como taça de vidro que pode escorregar das mãos de alguém que está zanzando demais pela festa. sempre quebram pelo menos uma.
até porque, dos males, o menor. e se for pra ficar grande, eu fico gigantesca junto. estou bem, melhor do que parece e mais tranquila do que já estive. não literalmente, porque se mais alguém ficar parado ao invés de liberar o caminho ao sair da escada rolante, eu vou gritar. favor sempre desobstruir a via porque você nunca sabe como uma paulista com pressa está perto de te atingir. fora isso, maravilha. nunca estive tão bonita, para deleite de todos que podem ver, e nunca estive tão cheirosa, para a sorte de quem pode me prestigiar enquanto bomba sensorial. também nunca estive tão firme em relação ao que sou e ao que eu não posso ser.
são pequenos truques que garantem a uma mulher uma aparência mais jovial: protetor solar todo dia, muita hidratação, sempre retirar a maquiagem de forma adequada e fazer as pazes com a pessoa horrível que você pensa que é. a cada tentativa de choro reprimido pelos miligramas de sertralina, uma frustração e uma certeza. se fosse para ser ruim, eu teria sido pior. é ofensivo insinuar que eu seria tão incompetente na criação de um inferno sendo que internamente tenho um tão bem orgânico e controlado. assim se faz paz de espírito e um semblante satisfeito no espelho.
afinal:
é problema meu?
poderá se tornar um problema meu?
eu posso vir a me tornar um problema por causa disso?
não, não e não.
então tudo bem.
big is going to paris, i don’t know where i’m going. fui editar meu perfil aqui no substack e o “cartomante há 5 anos” e se transformou em 8. enfim. aqui é espaço de baguncinha, sem compromisso com a constância - mas tem tanto a ser dito que em breve dou um pulo na sua caixa de entrada novamente.



acho engraçado como seus textos sempre me pegam pelos cabelos e mostram o que eu não quero enxergar! mesmo com anos de diferença, ainda assim, sinto suas experiências e sentimentos em cada pedacinho de mim
Carla, que alegria, voltaste! Sempre muito bom as dores e delícias que são teus textos, volte logo!